sexta-feira, 31 de agosto de 2012

NA ORDEM DO DIA



Gargalhava de.

braços abertos, pouco afastados. Do corpo, as mãos espalmadas pra cima, os olhos bem abertos, olhando. Pra si, pra dentro de si, ria alto. Em meio ao lixo, às carroças e seus catadores, ao pequeno trânsito de bicicletas na calçada. Alheia aos transeuntes e às pessoas paradas que esperavam, como ela, automáticas, seus ônibus naquele ponto, ria.  Louca e incompreendida da própria condição, enquanto o sangue, muito sangue, escorria pelas pernas. Depois de já ter lambuzado quase toda a saia e as mãos, as que tentaram contê-lo, parou de rir meio zonza. Com a cabeça meio torta. Como os olhares que a estranhavam, recolheu e guardou no coração toda a culpa.

Suspirou?

sentiu os olhares de escárnio perfurarem sua sobriedade. Atravessaram-na, acachapando a possibilidade de que ela fosse de seu coração pra fora. Então, ela também se guardou em si, sem nenhum pudor ou vergonha, apenas com cuidado.

E moveu-se

sangrando um rastro que ninguém ousaria, e enquanto seus ocasionais inquisidores seguem – de manhã, cedo, pras suas obrigações – ela partia. Embora audaz, num ritmo muito mais lento e outro que o tempo das interrogações despertas que morreriam rumo às contingências do dia.

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