Gargalhava de.
braços abertos, pouco
afastados. Do corpo, as mãos espalmadas pra cima, os olhos bem abertos, olhando.
Pra si, pra dentro de si, ria alto. Em meio ao lixo, às carroças e seus
catadores, ao pequeno trânsito de bicicletas na calçada. Alheia aos transeuntes
e às pessoas paradas que esperavam, como ela, automáticas, seus ônibus naquele
ponto, ria. Louca e incompreendida da
própria condição, enquanto o sangue, muito sangue, escorria pelas pernas. Depois
de já ter lambuzado quase toda a saia e as mãos, as que tentaram contê-lo, parou
de rir meio zonza. Com a cabeça meio torta. Como os olhares que a estranhavam, recolheu
e guardou no coração toda a culpa.
Suspirou?
sentiu os
olhares de escárnio perfurarem sua sobriedade. Atravessaram-na, acachapando a
possibilidade de que ela fosse de seu coração pra fora. Então, ela também se
guardou em si, sem nenhum pudor ou vergonha, apenas com cuidado.
E moveu-se
sangrando um rastro
que ninguém ousaria, e enquanto seus ocasionais inquisidores seguem – de manhã,
cedo, pras suas obrigações – ela partia. Embora audaz, num ritmo muito mais
lento e outro que o tempo das interrogações despertas que morreriam rumo às
contingências do dia.

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