sexta-feira, 31 de agosto de 2012

MABELLE & LUIZA







A miserável não tinha nome. Acordei.

Não tinha nome, nem telefone, nem uma cara, um rosto, a miserável tinha. Porque eu estava bêbada, completamente bêbada. Mas a miserável saiu de manhã cedo, antes d'eu acordar, largou todo seu cheiro na minha roupa de cama. Porra, que dor de cabeça, caramba.

Também fez o café da manhã e preparou a mesa. Num bilhete de guardanapo, com lápis de olho, me escreveu meia dúzia de delicadezas, amei tudo nos esbarramos e uma poesia do Rilke

um beijo,

Luiza.

Tudo o quê meu deus? Não lembro.

A miserável deixou o bilhete em cima da mesa da cozinha, sob o peso da orquídea arrancada na sala que há um ano eu esperava florir. E eu não pude não me apaixonar pra sempre por Luiza naquele dia.




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