sábado, 6 de julho de 2013

VEREDAS



Das paisagens mais significativas, mais emblemáticas, mais fortes e tristes e mais tristemente bonitas e poéticas que existem no Brasil, está a do Sertão. Os sulcos profundos no chão (onde mais eu já vi coisa tão impressionante assim, o chão, como vivo, se abrir em feridas desse jeito?), as carcaças dos bichos, os açudes que foram, os pés descalços e os corpos magros e infelizes, e o mandacaru, resistentes. Resistentes. O Sertão é resistente.

O Sertão é uma coisa tão enigmática, tão inexplicavelmente forte e poderosa que, com toda a pobreza, com toda miséria, ele produz beleza dentro da gente - de quem se deixa, de alguma forma, se despertar por ele.

O Sertão é um lugar? Um nome?, uma coisa?, um conceito? O que é o Sertão? Eu não sei o que é o Sertão. Ele não é só o chão rachado, só o gado morto, só o sertanejo. O sertão é tudo que somos, em beleza, em miséria, em gente, em bicho, em política, em natureza; e em tudo que podemos produzir sobre ele. O Sertão é coisa forte triste bela, ele é gigante, e cada fenda, cada bicho morto, cada mandacaru e cada homem do sertão, sou eu.

Guimarães Rosa nos cantou a pedra: "O sertão tá dentro da gente."

Um dia eu quero ir ao sertão como ele veio a mim.

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