quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

EM VIAGEM A SÃO PAULO [ou quando meu coração mora nos olhos]




Quando vejo em viagem na estrada as árvores ao longe, na cumeeira das montanhas e morros, a coroa bonita desenhando um horizonte de curvas e vai-e-vens e rendas e reentrâncias, e deixando passar a luz do sol por de trás de seus troncos, paredão falho e generoso

Eu tenho vontade de mandar beijos pra elas.

Quando eu vejo árvores de todos os tipos, no meio de largo descampado, na beira da estrada, dançando ao vento, caducas, tristes com folhagens chorosas e caídas, ou de verde vigorosa copa e ramagens espertas, quando eu as vejo, as altas, as baixas, as redondas, as magras, todas elas

Eu tenho vontade de mandar beijos pra elas.

Eu sei que,

as árvores todas, o gramado verdinho, os arbustos pequenos e gorduchos, os passarinhos, o gado no pasto, as flores rosas, lilases, amarelas, as desbotadas, as murchas em breve fruto, forjando sementes, aquele riacho comprido, tímido, manso, fininho, ou o outro enorme, ávido e caudaloso.

Tudo.

Tudo.

Todos eles.

Também mereciam beijinhos.




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