quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

POEMINHA ROMÂNTICO



Apaixona-me o modo como te encaro
A ti e ao que é tão teu
Vejo o riso de tua angústia calada
E nele vejo também o meu

Guarda, amor, guarda estes versos

De tão singela e amadora poesia
Pois é cantando o momento de outrora
Que me desprende a incoerente alegria

Querendo, de tão belo, eternizá-lo

A imagem do ser tão amado
Diante da qual tantas vezes sorriu o meu
Recorro a meu querido amigo Machado[1]
“Como te não amaria eu?”

Porém, fixa bem em teus olhos

Estas minhas doces palavras
Porque te falo nesta hora 
E com tristeza em demasia
O homem que me possuiu um dia

Com tão grande contento e alegria
É o que vai te restar agora
Nesta tua vida de mim tão vazia



[1] Machado de Assis em carta à Carolina Novais

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