sábado, 21 de dezembro de 2013

VENENO



Hoje a noite ficou triste, sem sono, sem fala.
Eu tô sem graça, sem graça.
Há tempos ninguém fazia doer meu coração.
Hoje troquei a histeria do riso constante pela honestidade do choro manso.
Quem me vê rir de tudo não desconfia que eu quero alento?
Quem me vê rir de tudo não desconfia o que vai por dentro?
Hoje sou fraca, fraquinha.
Sou um rato. Um rato.
Desgraçado, sujo e magro.

[em março de 2011]

LUZES DA CIDADE



Sou de matéria fina, compacta e rasteira. Rápida e miserável.
Sou de tarde fugidia, de piscar de olhos modorrentos, que não cessam com o tempo.
Não fui eu quem parou o trânsito ontem pra você atravessar.
Desiste! Desiste. Desiste.
Você não vai me alcançar.
Tão tola, não vi que era eu mesma que passava enquanto... ai.
Enquanto me passava, dor física no coração, o aperto firme de teu peito rude e grosseiro.
Que odeio.
Que tola.
E os fitilhos de luz colorida de cidade na velocidade da janela do transporte via Aterro?
Eu não te disse que eram bonitos?
Estou em casa.
Estou morta.
Não estou, pra você.


[em março de 2011]