quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

NÃO SOU DO TIPO QUE MATA

Hoje, caminhando calada e de cabeça baixa da saída de uma audiência do Tribunal de Justiça Patriarcal até o momento de pegar o ônibus de volta pra casa, um pensamento invadia minha cabeça, mesmo sem eu querer: qual deve ser a sensação de matar um homem? E a sensação de cumprir a pena por ter matado um homem? Esse pensamento, num looping infinito, e infinitas variações de respostas. Tudo acontecendo na minha cabeça baixa de olhos fixos no chão.

E por um átimo de segundo eu senti. Eu senti no meu pensamento, no meu coração e em cada célula do meu corpo, a sensação vigorosa que invade a pessoa que se sente capaz e faz. Aí, eu me lembrei que sou apenas uma mulher.

Uma mulher vivendo num romance de Kafka.